Aqui vai um dos meus primeiros contos. Eu o escrevi aos 16 anos embaixo de uma árvore no meu Ensino Médio:
"Entre Morte, Vida e Consciência."
Em certo lugar existia uma ponte que acabara de ser construída, esta ligava uma cidade à outra. Esta ponte passava por um rio extenso de água escura sendo notável perceber quão profundo as colunas da ponte atravessavam aquelas águas negras e profundas.
Uma noite perto da hora zero quando muitos já se recolhiam em suas camas e os carros pouco trafegavam, uma figura masculina se aproximava de tal ponte sem aparentar qualquer entusiasmo.
Ele caminhava com seu tênis baixo, vestido com suas calças jeans velhas e sua blusa preta de mangas compridas. Seu cabelo era meio que comprido e ondulado, suas mãos eram trêmulas e frias, seu rosto denunciava tristeza e dor, magreza e palidez eram notórias em seu corpo.
Cada vez mais atravessava a ponte alta em cima do profundo rio, um jovem que se aproximava na lateral da ponte com o intuito de cair e morrer afogado. Suas lágrimas eram intensas e caiam sobre o rio como gotas de chuva. Muito forte o que sentia não superou mais e inclinou-se bem perto do final para pular, mas naquele momento alguém se aproximava e chamou a atenção do sujeito que se matara.
Uma pessoa estranha, aparentemente com o corpo de uma mulher com um manto negro, encapuzada e com os braços cruzados. Ageu, o jovem sem demora a se suicidar, assustou-se ao ver tamanha coisa estranha se aproximar e antes de pular da ponte se assusta pela presença da pessoa impedido assim de fazer sua pretensão. Perguntou muito nervoso quem seria a senhora estranha e o que fazia naquela hora não propícia?
- Eu sou aquela mais temida por todos os viventes, a indesejada, a qual separa pessoas queridas uma das outras, a que vem sem hora, a única, eu sou a Morte.
- Será que estou louco? Perguntou Ageu a si apavorado e histérico. O jovem não se lembrava de ter bebido, ou tomado qualquer droga. Não poderia ser verdade, a Morte parecer uma mulher ou seria brincadeira de alguém? Ageu perguntou novamente:
- Quem é você? Estou falando sério, você se aproxima de mim e eu pulo. Falou o rapaz nervoso.
- Não se preocupe pularemos juntos, eu levarei sua alma e somente Deus saberá para onde ela irá. Você ansiava por mim Ageu, agora aqui faço presença, respondia a Morte seriamente.
- Minha nossa! Eu não me lembro de antes chamar você Morte? Isso se você for quem diz ser.
- Ora Ageu, como é tolo. Antes de vir aqui você já me atraia, e aquela ocasião a qual quebrou os espelhos? Ansiava-me.
Ageu era bastante complexado, tímido e se sentia incapaz de ser melhor e preparado. Um jovem que gostaria de confessar bons atos e virtudes os quais poderiam mudar sua vida e lhe fazerem feliz, mas temia a opinião e o modo que cada um pensava sobre ele. Escrever seria uma terapia para seu livramento da realidade lamentável em todos os vinte e sete anos vividos. Cansado de ser uma pessoa diferente aos seus pais e não se aceitando como era e tampouco sua vida humilde, começou a esmurrar o espelho quebrando-o em cacos e manchando este de sangue despertando aspiração a morte. Houve vários momentos em que pensou em tirar sua vida atraindo então à famosa Morte.
- Vamos logo rapaz, há muitos ainda os quais preciso levar, dê-me sua mão e cairemos juntos, faça juízo daquilo que você afirmava realmente ser, dizia-te que sua vida nunca prestou, não deveria ter nascido e dar trabalho a sua mãe, é um inútil na sociedade, por isto, é melhor morrer para que seus sofrimentos cessem.
Ageu decidido deu as mãos a Morte e quando se inclinavam para cair, alguém por trás grita:
- Não faça isso!
Morte pediu ao rapaz para não dar atenção, mas Ageu observou que era uma moça. Uma jovem bonita com um lindo vestido branco e uma tiara reluzente.
- Eu sou a Vida, Ageu, aliás, sua Vida. Você vai permitir a Ageu acabar comigo? Perguntou Vida em desespero.
O rapaz olhou para a Morte e para Vida e correu assustado do lugar, mas a Vida o alcançou e pediu para ele se acalmar e apenas ouvi-la.
- Querido Ageu, pense nos momentos desde quando você estava se iniciando. Houve seu nascimento, depois a infância e seguiu adolescência. É um privilégio de você existir Ageu. As pessoas não valorizam os simples momentos que passam no mundo, você venceu a corrida do início para existir, aliás, todos os que existem venceram. Estar aqui não é fácil. Conviver e ter o melhor nesse mundo é dificultoso, mas vale à pena ceder valor a mim. Esta sociedade manipula os humanos através de hipocrisias que culminam com o fracasso psicológico. Infelizmente você não se aceita como é, pelas ordens naturais das coisas não se pode mudar eu (Vida) com a Morte, mas podemos mudar a historia de uma vida com uma simples decisão progressiva, pense bem Ageu, quer mesmo destruir seus sonhos por esses motivos os quais te magoam? Motivos depressivos? Não é lutador o suficiente para vencer?
Vida ainda falou persuadindo Ageu a não se suicidar.
A Morte o puxava pelos braços, nisto gerou um puxa-puxa, Morte e Vida puxavam-no de um lado para o outro até ele gritar:
- Chega! Nem a Morte nem a Vida decidem por mim, estou mais tranquilo e preciso ouvir minha consciência, espero que tudo isso seja um sonho e quando abrir meus olhos tomara não enxergar vocês duas, falou Ageu com os olhos fechados e mãos no rosto.
Repentinamente, um rapaz idêntico a Ageu até com a mesma aparência e roupa aparece dizendo:
- Estou aqui, cumprimentou-se o rapaz – Eu sou sua Consciência.
O jovem não se assustava mais, depois de Morte e Vida brigarem por sua causa por que se assustaria com a Consciência igualzinha a sua imagem? Por isso perguntou logo:
- O que diz a respeito da situação Consciência? O que faço?
- Confesse, diga a todos o que sabe fazer, o que sempre lhe fez sentir melhor. Não é por que sua mãe queria a você algo que sempre ela quis que pudesse fazer-te feliz para sempre. Confesse Ageu. O que sempre gostou de fazer? Fale.
- Gosto de escrever poemas, contos, historias, mas meus pais nunca pareceram valorizar isto, mamãe sonhava com que eu exercesse a advocacia, eu nunca quis.
- Você escreveu tantas coisas lindas, romances e poemas que fariam de você alguém importante, todavia por sua timidez e o complexo importuno fragilizaram sua imagem, jogou no lixo não somente o que escrevia, mas seu talento. Por quê? Por causa de sua fraqueza em deixar as pessoas fazerem de você aquilo que permitiu. Valorize sua vida, pelo menos dê a ela mais uma chance, não é fácil deixar de ser o mesmo, porém se alcança de pouco em pouco o melhor senhor Ageu.
A Consciência lhe aconselhava, Vida e Morte as ouviam. Ageu se surpreendia em descobrir que sua Consciência guardava verdades que ele nunca pensou, realmente, era como se outra pessoa lhe apoiasse a viver. Uma paz sentiu dentro do seu coração e tomou com isto à decisão certa.
Agradeceu Consciência por iluminar sua razão e dirigiu-se a Morte para dizer que não queria mais vê-la por longos anos. Enfurecida, a Morte empurrou o rapaz agarrando com força ao precipício sem dar tempo para Vida poder ajudá-lo. Naquele momento, Consciência observou uma longa lista embaixo da manga direita da túnica da Morte e para concluir o que esta deduzia, puxou a lista com os nomes de pessoas para morrer e mostrou a Morte que aquele a quem ela queria levar não era a pessoa certa.
- O nome dele é Ageu Eduardo Moriz, está escrito na lista, Agenor Edvaldo Moss, você errou dessa vez Morte.
Muito irritada e cheia de murmúrios e reclamações, Morte se afastou do lugar derrotada, mas proferindo sua volta um dia para finalmente levar aquele a quem pensava ser.
Agradecido, Ageu deu um abraço a Vida confessando seu amor agora mais a ela do que a Morte. Prometeu mudar e jamais permitir seu fim por acasos sem importância. Vida se afastou feliz e segura de sua existência.
A Consciência disse para Ageu que poderia contar com ela para qualquer decisão, bastasse em ter calma e ouvi-la antes de praticar qualquer ato. Consciência se despediu e desapareceu. Ageu pensou no que muitos falam:
- Antes de falar ou agir, pense, ou seja, use sua Consciência.
Em seguida o rapaz saiu da ponte e retornou a sua casa. Tomou um banho e se deitou pensando em toda a experiência não natural.
O rapaz tomou a decisão de revelar seu dom de escrever, mesmo seu pai e sua mãe não lhe apoiando ou em recusar o filho poeta e escritor que tinham, começou a ficar conhecido por suas poesias e obras que publicava enfrentando assim a timidez e a baixa estima que prendia Ageu de ser alguém feliz. A partir de então acordava e dizia bom dia ao seu reflexo no espelho todos os dias valorizando-se com amor a sua vida. Compartilhou a muitos suas experiências e vontades que lhe proporcionaram excelente autoestima na carreira literária. Casou-se com uma bela jovem moça constituindo família. Teve um casal de filhos e viveu muito feliz. Relatou através de muitas das suas poesias e romances não tão conhecidas, o amor que cada um pode ter pela vida mesmo em momentos difíceis e a questão sobre os importunos no cotidiano que podem ser vencidos por motivação e os talentos que cada pessoa tem em si.
Ageu Eduardo Moriz nunca confessou a ninguém, mesmo se acreditassem ou não que em uma noite decidiu se suicidar ficando literalmente entre a Morte, a Vida e a sua Consciência.
(FIM)
Joedh

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